Estamos vivendo as dores do parto

26/02/2025

Queridos irmãos e irmãs do Templo, hoje iremos meditar sobre uma possível interpretação do livro do apocalipse. Para início da reflexão devemos ter em mente que o mundo não está caminhando para o fim absoluto, mas sim para uma grande transição espiritual, uma grande mudança de tempos que marcará a ação da justiça divina sobre a humanidade. Essa transformação é mencionada nas Escrituras e compreendida à luz da mística como um processo de depuração, onde a verdade será separada da ilusão, os justos serão exaltados e os ímpios cairão diante da própria corrupção.

Atualmente, vivemos o início das dores do parto, um período de purificação e provação, onde a humanidade enfrenta desafios cada vez mais intensos, espiritualmente e materialmente. Em Apocalipse 6:1-8, os quatro cavaleiros do Apocalipse simbolizam os eventos que antecedem a tribulação: a conquista, a guerra, a fome e a morte. Os sinais estão por toda parte: degradação moral, crises sociais, corrupção generalizada e o afastamento das verdades divinas (apostasia). Estes acontecimentos preparam o caminho para a tribulação, que se estenderá por sete anos e marcará a culminação desse ciclo.

A tribulação será um tempo de juízo, onde muitos reconhecerão a necessidade de um retorno à fé genuína, enquanto outros se perderão nas artimanhas do engano. Em Apocalipse 13:1-10, é descrito o surgimento do Anticristo, que reinará nos primeiros três anos e meio trazendo uma falsa paz e enganando as nações com promessas vãs. No entanto, essa paz ilusória será seguida pelo caos absoluto da grande tribulação, onde o sofrimento e a perseguição alcançarão seu auge.

No final desse período, ocorrerão os temidos três dias de escuridão (que também foi previsto por São Pio de Pietrelcina), quando os portões do inferno serão temporariamente abertos e todas as forças demoníacas serão libertadas sobre a Terra. Em Apocalipse 9:1-11, a abertura do poço do abismo libera hordas demoníacas simbolizadas pelos gafanhotos infernais, que atormentarão os habitantes da Terra. Durante esses dias, será imprescindível que os fiéis permaneçam em oração, abrigados e protegidos pela fé, pois as trevas tentarão arrastar as almas dos incautos para a perdição.

Após esse momento de terror, ocorrerá o arrebatamento, conforme descrito em Apocalipse 7:9-17, quando uma grande multidão de justos será resgatada. Aqueles que permaneceram fiéis serão elevados para junto do Senhor, enquanto os que rejeitaram a verdade enfrentarão a consequência de suas escolhas. Este será o ponto em que a separação entre os justos e os ímpios será definitiva.

Aqueles que permanecerem na Terra testemunharão os três anos e meio do reinado absoluto do Anticristo, que se consolidará como governante supremo do mundo. Ele tentará instaurar um novo sistema, onde a fé será substituída pelo culto ao próprio homem e à matéria. Entretanto, esse reinado não durará para sempre.

No momento determinado pela Justiça Divina, Jesus Cristo virá em sua glória, restaurando a ordem verdadeira e dissolvendo as trevas. Apocalipse 19:11-16 descreve esse evento glorioso, quando Cristo, montado em um cavalo branco, descerá do céu para julgar e derrotar o mal. Sua vinda será o ponto culminante da história, onde os justos ressuscitarão e se unirão a Ele na eternidade, conforme Apocalipse 20:4-6, enquanto o mal será finalmente vencido e banido.

Essa mudança de era não deve ser vista com desespero, mas como a consumação do plano divino. O chamado aos iniciados, àqueles que trilham o caminho de Jesus Cristo e da verdade espiritual, é manter-se firmes na fé, cultivar a pureza interior e preparar-se para os tempos vindouros. A escuridão não prevalecerá, pois, a luz do Cristo resplandecerá sobre todas as coisas, e o Reino de Deus será estabelecido em sua plenitude, conforme a promessa final em Apocalipse 21:1-7, onde um novo céu e uma nova terra serão instaurados para os fiéis. Meditemos sobre estas palavras...

Fr. Luiz Heleno T. Chaves